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Piteco - Ingá by Shiko - Capa

Marcando o encerramento da primeira fase de Grafic Novels da turma da Mônica, Piteco – Ingá é a releitura realizada pelo paraibano Shiko.

A história marca a migração do povo de Lem para outras terras, uma vez que uma grande seca minguou o único rio que abastecia a aldeia. Porém, quando todos se preparavam para seguir os conselhos de Thuga, uma espécie de sacerdotisa capaz de interpretar os sinais dos antigos, os homens tigres membros de uma aldeia rival a captura para oferecê-la como uma oferenda especial para o deus adorado por eles.

Diante desse fato, Piteco une forças com seu amigo Beleléu e a valente Ogra, e partem para resgatar Thuga das mãos do inimigo prometendo reencontrar o seu povo que iniciaram a longa caminhada em busca do místico rio vermelho.

Piteco - Ingá by Shiko - Imagem 1

Piteco não é um dos personagens mais populares de Maurício de Sousa. Apesar de gostar de suas histórias em quadrinhos tradicionais, eu não me lembrava de muitos personagens que aparecem na história como os homens Tigres, Beleléu ou até mesmo a Ogra. Os únicos personagens mais marcantes que considerava era o próprio protagonista Piteco e a apaixonada gordinha que não cansava de implorar pelo amor do caçador e que eu nunca conseguia decorar o nome.

Nessa história, porém, Thuga ganhou uma importância maior se tornando a Xamã de um povo, “aquela que carrega os olhos ocos da águia. Que vê o futuro e fala com os antigos”.

Piteco - Ingá by Shiko

Shiko construiu uma história que considera e dá valor a cultura brasileira escolhendo a Paraíba e a pedra do Ingá, monumento arqueológico tombado como patrimônio nacional, como palco para a HQ. Ele também fez a sua versão de criaturas místicas que fazem parte do folclore brasileiro.

M-Buatan é a versão de Shiko para o Boitatá, já o deus Arapo-Paco é inspirado no Curupira ou Caipora. Além de toda essa essência cultural, o que mais chama a atenção, não somente nessa HQ, mas em todas as outras lançadas anteriormente, é a arte, as cores, o traço de personalidade de cada artista que aceitaram participar do projeto proposto por Sidney Gusman.

Para Piteco-Ingá Shiko utilizou pintura em aquarela, resultando em ilustrações marcantes seguindo o padrão de alta qualidade das HQs da série anteriormente lançadas. Vale muito a pena ter a coleção completa. Ano que vem novos títulos serão lançados e eu com certeza, quero conferir todos eles!


Desde a primeira Graphic Novel MSP lançada no final de 2012 muito material bom foi produzido dando vida a diversas versões especiais dos famosos personagens de Maurício de Sousa.

Dando continuidade a série foi anunciado na FiQ, Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte que ocorreu no último mês de Novembro, os novos títulos que serão lançados no próximo ano, dessa vez, outros personagens ganharão o seu espaço e muita novidade ainda pode estar por vir.

Os irmãos Vitor e Lu Cafaggi irão dar continuidade a bonita história de Laços, HQ que reúne os principais personagens da turminha. Astronauta – Magnetar também será levado adiante e ganhará seu segundo volume pelas mãos de Danilo Beyruth. Além desses títulos que foram um dos mais famosos das primeiras publicações, A turma do Penadinho, Papa-Capim, Bidu e até a Turma da Mata que tem como personagens mais conhecidos Jotalhão, Rita Tanajura e centenas de coelhinhos irão ter a oportunidade de ganhar o merecido destaque.

Além de todas essas novidades, Maurício de Sousa revelou ainda a possibilidade de transformar as histórias retratadas nas Graphics Novels, em filme Live action, aqueles realizados com atuações com pessoas reais.

Eu realmente fiquei surpresa com a notícia, uma vez que o cinema brasileiro, salvo raras exceções, não conseguiu produzir muitos filmes que não se pareçam com as novelas globais, mas enquanto o projeto não passa de uma ideia que precisa ser estudada e amadurecida, confiram as primeira imagens divulgadas em detalhe das produções, que mais uma vez, revelam desenhos cheios de personalidade e de visível qualidade.

Astronauta II

Astronauta II

Turma da Mônica II

Turma da Mônica  II

Bidu

Bidu

Penadinho

Penadinho

Papa-Capim

Papa-Capim

Turma da Mata

Turma da Mata


Piteco, personagem de Maurício de Sousa que vive no período da pré-história será o grande protagonista do quarto volume da série Graphic MSP.

O encadernado de nome Piteco – Ingá terá arte e roteiro produzido pelo paraibano Shico. Ao que tudo indica a história fará referencia a pedra do Ingá, monumento arqueológico que possui inscrições rupestres e que fica localizado no município de Ingá, na Paraíba.

Piteco-IngaPrimeira imagem interna divulgada!

Apesar das diversas teorias diferentes sobre o assunto, atualmente ainda não se sabe quais foram as origens das inscrições nas pedras. Há suposições que afirmam que os símbolos são de autoria da civilização fenícia ou de índios que habitavam a região. O fato também despertou interesse dos ufologistas que acreditam que os sinais são obras de seres extraterrestres.

Ainda não se sabe qual será a linha de pensamento seguida pelo autor para produzir a sua história, mas é inegável que há bastante material e mistérios para ser explorado a respeito do assunto.

Piteco Ingá tem data de lançamento para Novembro de 2013, no 8º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte), onde serão anunciados também os próximos volumes da Graphic MSP.

Abaixo o teaser que foi divulgado em 2011 e que parece prometer uma aventura bem interessante! ;)

Piteco Ingá - Graphic Novel


Chico Bento - Pavor Espaciar - Capa

Já comentei aqui no blog o quanto estou amando essas releituras dos personagens de Maurício de Sousa. Sendo Chico Bento – Pavor Espaciar a terceira HQ lançada da série que já trouxe Astronauta Magnetar de Danilo Beyruth e Laços de Vitor e Lu Cafaggi, podemos observar em cada uma delas o toque que cada autor proporcionou a personagens tão conhecidos e como até o momento obtiveram êxito em preservar as principais características e ao mesmo tempo dar-lhes um ar totalmente diferenciado.

Essa aventura da roça se inicia quando, numa noite estrelada e tranquila da vila Abobrinha, extraterrestres assustadores abduzem misteriosamente Chico Bento, seu primo Zé Lelé, o porquinho Torresmo e a galinha Giserda. A partir de então cada um tenta usar sua esperteza para salvar a si próprio e a seus amigos, buscando alternativas para se verem livres dessas terríveis criaturas e acabam passando por diversos cenários cheios de referências a cultura pop e fatos históricos que envolvam a presença de extraterrestres em diversos lugares do mundo.

O humor reside principalmente na caçada a referências que o leitor sem perceber inicia. É legal e surpreendente identificar fatos da cultura mundial e mistérios da humanidade retratados nos cenários. Os personagens também estão super engraçadinhos tanto pelas atitudes apavoradas diante do desconhecido quanto pelo seu design.

Chico Bento - Pavor EspaciarQuem Consegue achar o sabre de luz escondido entre os diversos instrumentos desenhados? ;)

Gustavo Duarte responsável pela criação do roteiro e da arte de Chico Bento – Pavor Espaciar possui traços bem legais. Ele deu muita expressão e movimentação aos personagens, conseguindo balancear bem a falta de textos já que as imagens conseguem falar por si só.

A escolha do tema para essa história foi baseado principalmente no misticismo que ainda existe em algumas cidades do interior do país. Eu mesma quando criança, já ouvi de minha avó que nasceu no Interiorzão de Minas Gerais, histórias que envolviam a presença de Lobisomens, Mulas Sem Cabeça e acontecimentos sobrenaturais. Em algumas regiões, porém, os “causos” contam também com a presença de extraterrestres.

Chico Bento e Zé Lelé - by Gustavo Duarte

O material extra que mostra parte do processo de criação, como os rascunhos da estrutura de algumas páginas, os esboços dos personagens e a arte ainda sem finalizar, ainda traz dicas sobre as referências retratadas nas páginas caso o leitor não consiga identificar todas elas.

A HQ mais simples e não menos primorosa das Graphics Novel MSP custa em sua versão encadernada R$ 29,00. Eu mais uma vez adquiri meu exemplar na Geek.com que tem loja física na Paulista mas também vende pelo site, clicando aqui!

No video abaixo o artista explica como aconteceu a escolha dos elementos retratados na HQ assim como suas principais influências e desafios! Confira!


O Maravilhoso Mágico de OZ - Capa

Em abril a Panini Books famosa por lançar HQs de Super Heróis inovou publicando “O Maravilhoso Mágico de OZ” com roteiro de Eric Shanower e a belíssima arte de Skottie Young.

Desde 1900, ano do seu lançamento, a obra de L. Frank Baum está intimamente ligada a cultura norte-americana, sendo o primeiro conto de fadas produzido no país que mesmo sem utilizar elementos do folclore inglês como os elfos e fadas, conquistou grande visibilidade e sucesso entre o público americano, rendendo muitas adaptações para o teatro, cinema e posteriormente, histórias em quadrinhos.

Devido a todas essas releituras vários detalhes da obra original acabaram se perdendo, ou não sendo conhecidos pela grande maioria das pessoas. Buscando resgatar as verdadeiras raízes da aventura da pequena Dorothy na terra do Mágico de OZ, o roteirista Eric Shanower, um fã assumido da obra de Baum, procurou se inspirar, sendo o mais fiel possível a história que deu inicio a tudo.

Na história, a pequena Dorothy vive com seus tios em uma fazenda no Kansas. A vida transcorria calma, até que um tornado atinge a região e antes que pudesse se proteger entrando no porão da propriedade, acaba sendo levada para longe, junto com seu cãozinho Totó, até a Terra de Oz.

A garota não demora a perceber que a região é incomum e que para retornar para casa precisará passar por grandes aventuras. A jornada em busca do poderoso mágico de Oz, único ser capaz de levá-la de volta para seus tios é repleta de imprevistos. Dorothy encontra o Espantalho, o Homem de Lata e até o Leão Covarde, amigos que a acompanharão até a menina encontrar o caminho de casa.

O Maravilhoso Mágico de OZ - Quadrinho

Apesar de não conhecer absolutamente nada sobre a história de Oz antes de ter acesso a esse encadernado, não demorei a ser conquistada pela jornada de Dorothy. Sem conhecer as outras versões da obra não sei até que ponto o roteirista conseguiu êxito no seu propósito de manter a obra o mais original possível a história que rendeu ao longo do tempo tantas adaptações, nem se essas modificações irão desagradar a quem foi fortemente influenciado por outras versões da história, só posso afirmar que criamos uma empatia quase imediata com os personagens que gradativamente vão surgindo e apesar de um roteiro bem simples e até infantil, a história pode perfeitamente agradar aos públicos de todas as idades.

A história progride de maneira bem suave, conseguindo desenvolver os personagens e criar um forte laço entre eles. Aos poucos vemos que as peculiaridades de cada personagem irá contribuir de maneira decisiva para o sucesso da jornada e não deixamos de torcer por eles um minuto sequer.

Os traços de Skottie Young possuem muita personalidade. No material extra contido no encadernado podemos ver o processo criativo aos quais os personagens passaram sendo o maior desafio para o desenhista encontrar sua própria percepção da história diante a tantas versões dos personagens. O resultado final juntamente com as cores de Jean-François Beaulieu é realmente fantástico!

Vencedora do prêmio Eisner! de melhor série limitada e melhor publicação para crianças, “O Maravilhoso Mágico de OZ” é super recomendado para os fãs ou não, da clássica obra de L. Frank Baum, feito “para encantar as crianças de hoje- sejam essas crianças realmente jovens ou simplesmente jovens de coração”.

O Maravilhoso Mágico de OZ - Capa edição 2Capa da 2º Edição 

O encadernado custa aproximadamente R$ 54,00 sendo encontrado nas livrarias físicas ou clicando aqui.


Turma da Mônica - Laços (capa)

Depois do belíssimo Astronauta Magnetar de Danilo Beyruth, recentemente foi lançado “Laços” a segunda Graphic Novel da turma da mônica. A história produzida por Lu e Victor Cafaggi caiu no gosto dos fãs da turminha, e se esgotou rapidamente das livrarias. O meu exemplar foi comprado sob encomenda na geek.com e custou muito bem gastos R$29,00 + frete.

Sem ler uma única palavra, os traços delicados dos irmãos nos proporcionam logo a primeira folheada um encanto imediato. Na primeira página temos acesso a diversas fotografias dos principais integrantes da turminha ainda bebês, desenhados como se fossem a lápis num tom pastel que remetem a coisas antigas, uma vez que os autores buscaram inspiração em produções dos anos 80, todas as ilustrações possuem um tom de cores diferenciados, impactantes e muito bonitos.

Na história Floquinho desaparece inexplicavelmente. Para encontrar seu cachorro de estimação, Cebolinha conta com os amigos Cascão, Mônica e Magali e, claro, um plano “infalível”. Munidos de muita coragem e determinação a turma parte nessa arriscada aventura pelas ruas da cidade, que irá reforçar o sentimento de amizade e cooperação que torna essa turminha tão especial.

Cebolinha- LaçosNão é puro Amor? ♥

O que representa um bichinho de estimação para um criança? Para mim sempre significou muito! Em “Laços” somos levados ao momento mágico quando Cebolinha, ainda bem pequeno tem o seu primeiro contato com Floquinho, a conexão do momento é quase palpável e fica fácil nos envolvermos em uma aventura com propósito tão bonito.

Laços tem um forte clima de amizade representado de forma delicada através das personalidades marcantes e já conhecidas que os personagens de Maurício de Sousa possuem. Apesar da liberdade criativa que os autores das Graphics Novels possuem para fazerem suas próprias interpretações, os irmãos Cafaggi mantiveram uma linha bem fiel a obra original, conseguindo porém, transmitir muito sentimentalismo nas atitudes mais simples com desenhos que enchem nossos olhos de alegria!

Quadrinho-LaçosAlgumas passagens de “Laços”

Os personagens ficaram bem legais e elaborados. Pela primeira vez pude perceber que a Mônica é sim mais rechonchudinha que os demais rs! Os cabelos dos meninos também merecem destaque, Cebolinha com seus cinco fios que possuem uma uma dinamicidade e movimentação incríveis e Cascão com seu moicano! Mas pra mim, a personagem mais fofa é sempre a Magali, a comilona sempre teve lugar especial no meu coração e está muito bem representada! Os autores ainda tiveram uma iniciativa bem legal de colocar na trama em participações bem rápidas alguns outros personagens da turma. Com traços tão bonitos ficaria feliz em conhecer todos os personagens das revistinhas submetidos a ótica de artistas tão talentosos!

Prestando as devidas homenagens para o criador Mauricio de Sousa e repletos de referencias de filmes de aventura dos anos 80, “Laços” é uma obra indispensável aquelas pessoas que assim como eu, cresceram na companhia dessa turminha tão especial.

Abaixo a foto de divulgação do encadernado! ;)

Foto de Divulgação de Laços - Turma da Mônica


American vampire

Esqueça os vampiros românticos e bonzinhos criados pela cultura pop que caiu no gosto das crianças e adolescentes dessa geração. Já na introdução pelas palavras do próprio autor Stephen King somos alertados que o que vem pela frente é na verdade um resgate a abordagem mais clássica dos vampiros, seres cruéis, perigosos e impiedosos.

É claro que a referência mesmo subentendida é em relação a saga Crepúsculo e The Vampire Diaries, que de certa forma foi um marco do início da deturpação das característica dos mais variados “seres mitológicos”, vampiros, lobisomens e porque não Zumbis, como no recentemente lançado, Sangue-quente.

Após 45 anos de sua transformação, Skinner Sweet,o primeiro vampiro americano, deixa finalmente sua sepultura indo para Los Angeles na época em que Hollywood exercia uma atração quase irresistível aos jovens que sonhavam em virar estrelas de cinema.

Sweet, porém, não é apenas mais um vampiro como os que compõem a aristocracia europeia da época, o primeiro vampiro americano adquiriu novos poderes e superou antigas fragilidades, sendo o primeiro de uma nova e perigosa espécie de sanguessugas.

Paralelo a isso a jovem atriz Perl Jones não fugindo a regra também parte em busca de seu sonho de se tornar uma atriz de sucesso, porém acaba conhecendo de maneira inesperada e sangrenta que a cidade não está apenas dotada com a ambição dos homens, mas que há muita crueldade e mistério por trás de tudo isso.

Tornado-se vítima dos ataques de vampiros Perl é trazida de volta a vida por Sweet que transforma a obstinada garota em uma semelhante, concedendo-a os poderes necessários para que a moça possa vingar-se.

A história é bem dinâmica e cheia de surpresas. Estamos diante de uma guerra entre os vampiros tradicionais e a nova espécie surgida por acaso. Stephen King conseguiu resgatar o universo macabro que ronda esses seres sedentos de sangue e poder.

A história publicada mensalmente pela revista Vertigo ganhou a versão encadernada dos seus 5 primeiros capítulos em Maio de 2012 com arte do brasileiro Rafael Albuquerque e o roteiro de Scott Snyder e Stephen King sendo distribuídos pela Panine Books. A série continua em andamento com as publicações mensais porém ainda não há perspectiva de lançamento de Vampiro Americano Vol. 2.

O encadernado pode ser encontrado nas livrarias por aproximadamente RS50,00 muito bem investidos. :)

Skinner SweetO nem bonito e nem piedoso Skinner Sweet

 


Turma da Mônica

Ao longo de todos esses anos de existência a turminha de Mauricio de Sousa passou por diversas modificações. Alguns dos personagens bem famosos como a própria Mônica eram inicialmente coadjuvantes em outras histórias e foram adaptados em traços e personalidade para ganharem suas histórias próprias onde eles seriam o grande destaque.

Trabalhando com uma rotina pesada de ter que manter três tiras diárias na Folha, Mauricio de Sousa tinha que dar conta do processo de produção sozinho, que incluía desde a criação de um roteiro, os desenhos e a árdua tarefa de utilizar tinta e nanquim em personagens, cenários e balões até chegar ao processo final de limpeza, onde a borracha trabalhava incansavelmente.

Os primeiros personagens a ser criado pelo autor, foi Franjinha e seu cachorrinho de estimação, Bidu. Com muito mais detalhes que os personagens que surgiriam posteriormente, portando sapatinhos, meias e até franjinhas em Nanquim, foi na história da dupla que nasceu o Cebolinha também agraciado com o detalhamento que foi abandonado em criações posteriores.

O motivo para tal era que a rotina de Mauricio de Sousa crescia e o tempo ficava cada vez mais escasso então a simplificação dos personagens fazia-se necessária. Os cabelos foram ficando mais simples, as roupas tornaram-se mais básicas e os sapatinhos sumiram, essa é a explicação para que alguns personagens como a Monica, Magali e Cascão andarem descalços e não terem nem ao menos dedinhos. Já Chico Bento personagem que surgiu em paralelo sendo uma publicação de um jornal chamado Diário da Noite, já havia se consolidado possuindo dedinhos que não poderiam simplesmente ser modificados.

Os traços em geral ficaram bem diferentes, a turminha já passou pela fase magricela, rechonchuda e angulosa, até chegarem aos adoráveis traços que tanto conhecemos. Claro que com o sucesso e visibilidade que conquistou com seu trabalho, Mauricio de Sousa passou a ter uma equipe própria para ajudá-lo na produção de suas histórias possibilitando a criação de personagens muito mais trabalhados com diversos detalhes, porém a mudança dos traços dos personagens que se consagraram com uma aparência mais simples seria no mínimo bem estranha, então se decidiu por preservar suas características clássicas.

As imagens abaixo caracterizam bem a evolução dos personagens. A Mônica surgiu inicialmente como a irmã mais velha de Zé Luiz, numa tirinha do Cebolinha, onde ela era uma menina bem invocada que já andava com um coelhinho de pelúcia e possuía seus famosos dentões. Com a necessidade de simplificar os desenhos, a personagem foi perdendo cabelo até possuir esse aspecto de cabelo em “formato de banana” e roupinha mais básica. Já o Chico Bento antes com um aspecto bem mais adulto era na verdade um mero coadjuvante das histórias dos personagens que hoje seriam Zé da Roça e Hiro, atualmente personagens secundários no Almanaque do Chico Bento. Essa inversão de papéis deu-se devido ao carisma do jeito caipira de Chico Bento que acabou por conquistar muita visibilidade.

Personagens Turma da Mônica

O aspecto do Cebolinha já lembrava bastante o que ele é atualmente, exceto é claro pela quantidade de cabelo que foi rareando com o passar de suas versões. Já a Magali e o cascão que surgiram para contracenar com a Mônica e o Cebolinha já nasceram com seus traços psicológicos bem definidos, a primeira super gulosa e o outro, sujinho como sempre.

Horácio, o personagem pré-histórico da Turminha ganhou bastante destaque com o tempo. De início não passava do animal de estimação do Piteco, mas foi ganhando personalidade própria assim que Maurício de Sousa viu a oportunidade de expressar parte do que é através do personagem. É a partir dele que o autor faz diversas críticas aos costumes e expressa seus desejos muitas vezes camuflados nas fábulas de Horácio.

Personagens Turma da Mônica

Para maiores informações confira uma crônica de autoria de Mauricio de Sousa intitulada “Porque a Mônica não tem sapatos?” lá encontramos detalhes de como foi o início de carreira do quadrinista!


Astronauta Magnetar

“Cause tonight I’m feeling like an astronaut…” é exatamente assim que nos sentimos ao embarcar na adaptação que Danilo Beyruth fez do personagem de Maurício de Sousa, o Astronauta.

Muito mais que aventuras, o encadernado Astronauta-Magnetar aborda a solidão e a vastidão do Universo e nos faz refletir sobre as decisões que tomamos em nossas vidas e as consequências que isso acarreta diretamente no que somos ou seremos.

A história conta um pouco das origens do personagem criado em 1963, mas sob uma ótica adulta. A obra é muito mais filosófica do que aventureira e o drama consiste na dualidade de sentimentos que ficam chocando-se constantemente enquanto o personagem permanece na solidão do espaço: o desejo de explorar o Universo vendo maravilhas que poucas pessoas terão a oportunidade de presenciar e o saudosismo da família e amigos deixados para trás num lugar bem distante chamado Terra.

Explorando o Universo a anos, Astronauta se dirige em sua nova missão que consiste em pesquisar a estrela de Neutron Magnetar porém durante a execução do estudo sobre o astro, acaba cometendo um erro que poderá custar sua própria vida. Tendo que lidar com situações não esperadas, ele vai ter que buscar nas lições de vida deixadas pelo seu falecido avô e no seu conhecimento tecnológico uma maneira de conseguir superar a situação.

Em entrevista para o portal de conteúdo da Cultura cmais+ o desenhista Danilo Beyruth e o produtor Sidney Gusman, falam do processo de produção dessa primeira de quatro Graphic Novel que ainda serão lançadas. Eles salientam o cuidado que tiveram para preservar as características originais do personagem além de dar veracidade aos fatos científicos presentes na produção, algo que foi realizado através de pesquisa no campo da Astrofísica.

Astronauta- Mauricio de Sousa

Ao longo de suas 80 páginas também encontramos material extra, com a arte conceitual do HQ, que relatam as ideias iniciais do quadrinista, além de uma breve história sobre o clássico Astronauta que conhecemos das histórias de Maurício de Sousa que inclui o primeiro tabloide do personagem publicado em 1963 no suplemento Juvenil do jornal Diário de São Paulo.

Astronauta-Magnetar pode ser encontrado em bancas de Jornal ou em Livrarias. O exemplar que ganhei foi adquirido na Geek.etc e possui capa dura mas uma versão mais simples também está disponível porém, como item de colecionador vale a pena investir um pouco mais.

A Graphic Novel da Turma da Mônica (By Victor e Lu Cafaggi) tem lançamento previsto para Fevereiro de 2013, a adaptação de Piteco (By Shiko) está marcada para Maio e o último título da série que será do Chico Bento (By Gustavo Duarte) estará nas bancas a partir de Agosto. Confira as imagens divulgadas dessas produções aqui! ;)

Turma da Mônica - Graphic-Novels


O futuro da Turma da Mônica ou pelo menos o futuro dos dois personagens centrais da trama, Mônica e Cebolinha, pode ser conferido na edição comemorativa de numero 50 da Turma da Mônica Jovem, lançada no fim de Setembro.

Acompanhando alguns volumes não tão frequentemente, me espantei quando soube que os personagens seriam retratados em sua forma adulta, mas essa edição não caracterizava na verdade, o fim da fase dos personagens adolescente e sim um vislumbre do futuro do casal. A história acontece quando Ângelo (Anjinho) e o cupido Theobaldo (Miopinho) resolvem consultar o futuro para verificar se o relacionamento conturbado (todos sabemos) da Mônica e do Cebolinha iria progredir positivamente ou se alguma medida deveria ser tomada pelo Cupido, o responsável por “flechar” o casal quando esses ainda eram crianças travessas.

A história progride então num ritmo bem entediante. Da forma com que foi escrita poderia muito bem estar falando do futuro de um casal desinteressante qualquer. Por vezes me sentia dentro de uma novela do “Manuel Carlos”, retratando o cotidiano dos personagens.

Já vi com certeza edições anteriores muito mais elaboradas, que prendiam a atenção do leitor proporcionando alguma diversão. Me pergunto por que não realizaram uma edição dupla, colocando um pouco de ação, quem sabe, algum inimigo na história tornando- a mais complexa, ao invés de apenas mostrar fragmentos de situações vividas pelo casal futuramente.

Para mim, essa tão divulgada “Edição Histórica” serviu apenas para revelar que o futuro da turminha que sempre acompanhamos está fadado a ser um futuro tipicamente adulto se assim eu posso dizer, onde a imaginação simplesmente perdeu lugar para todas as responsabilidades que os adultos “reais” possuem. É frustrante pensar que a imaginação assim como na vida real, ficou atribuída somente ao mundo infantil.

A forma clássica da turma do Maurício de Sousa a meu ver, é insuperável. Melhor imaginar que os personagens continuam tendo seus 6, 7 anos de idade, imagina- los casados, é perturbador demais pra minha cabeça. Prefiro muito mais quando as histórias acabavam assim:

#ProntoFalei



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