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Boxtroll

Eu sempre tive curiosidade de saber como as coisas aconteciam por trás das câmeras. Lembro que acompanhava na antiga MTV Brasil, alguns programas de Making of que mostrava os bastidores de algumas produções como filmes e clipes.

Hoje venho mostrar para vocês algumas curiosidades e informações sobre a produção que irá estrear em 02 de Outubro nos cinemas brasileiros: The Boxtroll. A animação é de autoria dos estúdios Laika que já produziu Coraline em 2009 e mais recentemente, ParaNorman em 2012.

A nova produção traz como inspiração Monty Python, o ballet Russo e também um livro infantil de Alan Snow “Here be Monster!”.

Boxtroll backstage

Na história iremos acompanhar a jornada do garoto Egg e de diversos monstrinhos que vestem-se com caixas de papelão e vivem no subterrâneo da cidade de Cheesebridge.

A produção será realizada em Stop Motion, mas contará também com CG para dar mais amplitude aos cenários e não deixar a impressão de que o espectador está encurralado dentro de um set de filmagem limitado.

Pelas fotos conseguimos perceber todo o trabalho desempenhado para a realização das cenas. A riqueza de detalhes e a delicadeza de todos os elementos realmente impressionam. Neste post aqui vocês podem visualizar melhor os detalhes.

Boxtroll backstage

O design dos cenários é bem interessante. A equipe de criação parece ter gostado dos traços trêmulos do artista Michel Breton e resolveu incorporar essa característica aos elementos em cena. Se olharmos bem tudo parece oscilar, nada é realmente reto.

Já para o figurino e definição da identidade visual, houve a inspiração de diversas pinturas do século XIV e XX, o objetivo era deixar a produção com o design de um filme de época inusitado. Além disso, uniformes militares, o figurino do movimento Punk Rock inglês e até mesmo o ballet russo influenciaram na criação do visual tanto dos monstrinhos como dos moradores de Cheesebridge.

Boxtroll backstage

O próprio nome da cidade fictícia nos sugere que os queijos terão uma importante participação na história. Cheesebridge vem de Cheese (queijo, em inglês) e é justamente essa a obsessão dos aristocratas “apreciar os mais finos e fedorentos queijos”. Para isso foram criados mais de 55 esculturas diferentes de queijos que serão utilizados nas cenas!

Realizar uma produção desse porte envolve muitos profissionais, acho muito legal conhecer o backstage das produções para termos um pouquinho da dimensão do trabalho realizado, isso também nos ajuda a prestar mais atenção a outros detalhes quando formos conferir o resultado final! 😉


Até o lançamento do filme As aventuras de Tintim em Janeiro deste ano, eu jamais tinha ouvido falar do desenho de Hergé. Muitas pessoas demonstraram reconhecimento e empolgação quando a notícia de que um filme baseado nesse desenho animado seria produzido. Eu realmente não tenho nenhuma lembrança de ter algum dia assistido Tintim acho que fui uma criança muito mais ligada aos desenhos do Sbt, como O Fantástico Mundo de Bob, Ursinhos Carinhosos, Cavalo de Fogo e Dennis, O Pimentinha, do que na programação da cultura. É muito raro ouvir uma pessoa dizer que não gostava de castelo Rá- Tim- Bum, mas sou uma delas. Até hoje não sei o por quê da minha rejeição pelo programa, mas o fato é que nunca gostei de assistí- lo, e acredito que tenha sido justamente esse o motivo que talvez tenha me afastado da Tv cultura, de qualquer forma, é triste pensar que eu tenha deixado de conhecer quando criança, alguns desenhos realmente bons como Tintim

The advertures of Tintin foi produzido através da junção de duas histórias da sua versão clássica, “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” e “O Segredo do Licorne”, porém em momento algum a trama nos deixa pensar que a aventura provém de histórias distintas.

O filme é marcado por uma história bem contagiante, investigativa e aventureira, com uma dinâmica inabalável capaz de transportar o expectador para dentro de aventuras realmente emocionantes.

Tintim, para quem não o conhece tão bem, assim como eu, é um repórter de aproximadamente 17 anos, seu fiel companheiro é Milu um Fox terrier super esperto que o acompanha nas suas aventuras em busca dos melhores furos de reportagem.

Parte desse contexto, situam-se personagens importantes para a trama, temos os policiais atrapalhados Dupont e Dupond e o Capitão Haddock que é um dos maiores destaques do filme. O capitão passa a maior parte do tempo bêbado e seus lapsos de memória conseguem arrancar risos fáceis do expectador.

Tudo inicia- se quando Tintim ao passar em um Mercado de pulgas avista uma réplica do Licorne, um navio pertencente a família Haddock. A miniatura logo desperta a cobiça de muitos outros compradores deixando claro que existe algo intrigante acerca da nova aquisição de Tintim. O jornalista porém, só percebe o quão valioso é o navio quando seu apartamento é invadido e o Licorne, roubado.

Procurando recuperar o item, Tintim acaba entrando em apuros e se vê cativo no navio do último descendente dos Haddocks. É ao lado do velho capitão e é claro, de Milu, que Tintim passa por situações de tirar o fôlego embarcando numa aventura perigosa que envolve antigos segredos de família e tesouros perdidos.

Acompanhando uma parte do episódio que deu origem ao filme, percebi que na medida do possível, a adaptação de Spielberg foi fiel a obra de Hergé. O filme conseguiu transmitir a essência dos desenhos antigos, assim como prestou as devidas homenagens ao desenho original, como ocorre nas cenas iniciais em que as fotos dos personagens aparecem em sua forma clássica 2D, expostos na banca de um caricaturista no mercado das pulgas.

Tintim é o resgate de personagens que não necessitam de ter super poderes ou alguma mutação para se tornarem heróis autênticos e carismáticos, além de situar- se no mundo real e abordar temas interessantes. O mais legal é que o filme não decepciona seus fãs e ao mesmo tempo apresenta o personagem aos leigos de maneira tão empolgante que é praticamente irresistível não sair pesquisando tudo a respeito das aventuras desse jovem repórter.

Uma parte importante do filme é o realismo que ele transmite, em muitos momentos podemos perfeitamente esquecer que se trata de uma animação, a qualidade é impressionante.

Jamie Bell, como Tintim

Para a realização do filme foi utilizada a técnica de captação de movimento. Os atores vestidos com uma roupa específica, marcados com pontos que captam suas expressões faciais interpretam a cena, que após ser tratada é renderizada no computador. Jamie Bell , o Billy Elliot no filme de mesmo nome, é quem interpreta o protagonista Tintim, já Andy Serkis que já deu vida a personagens famosos e estranhos como King kong e o Gollum (Senhor dos Anéis) é quem fornece seus movimentos para o capitão Haddock. No documentário da HBO disponível abaixo em 2 partes encontramos entrevistas com os principais atores, além de depoimentos de Steven Spielberg e Peter Jackson, o documentário também mostra o sucesso que as obras de Hergé fazem até hoje na Bélgica, seu país de origem.

Primeira Parte

Segunda Parte


Coraline e o mundo secreto é uma adaptação cinematográfica do livro de Neil Gaiman lançado em 2003. Embora considerada um conto infantil, a combinação de uma atmosfera densa e uma ambientação Dark, faz com que a obra agrade também ao público adulto. Com esse livro Neil Gaiman pode fornecer as crianças leitoras uma aventura realmente emocionante e assustadora, sem pecar com cenas extremamentes inocentes.

A protagonista da vez é Coraline Jones e não ‘Caroline’ como muitos personagens costumam erroneamente chamá- la. No auge dos seus 11 anos, a menina muda-se com a família para outra cidade. Encarando a saudade dos amigos e tendo que lidar com pais escritores que passam todo o tempo disponível imersos na composição de um importante trabalho, Coraline ve- se praticamente privada da presença e atenção dos pais, e é assim que ela passa a conviver com as personalidades peculiares da nova vizinhança. Encontramos o menino Wybie e seu misterioso gato preto, o Sr.Bobinsky treinador de circo mal- sucedido e as irmãs que tiveram na juventude, o seu tempo de glória como artistas.

Enquanto explorava o casarão antigo, agora seu lar, Coraline depara- se com uma misteriosa porta que aparentemente não levava a lugar algum, estando murada sabe-se lá a quanto tempo. Porém, certa noite Coraline é atraida até a estranha porta e o que encontra é uma passagem secreta para um mundo alternativo e extremamente tentador.

Lá Coraline tem pais atenciosos e interessantes, seus brinquedos ganham vida e tudo parece perfeito e bem mais colorido, a única diferença que torna os personagens macabros em sua aparência, é a presença de botões no lugar dos olhos.

A história progride com essa vida dupla de Coraline, hora no mundo real e sem graça, hora no mundo perfeito das pessoas com olhos de botões! Claro que nem tudo que parece perfeito realmente é, a menina vai aos poucos descobrindo que talvez essa versão modificada do mundo real, não seja realmente, uma versão melhor.

É através das experiência de Caroline com seu “outro” pai e com sua “outra” mãe, que o filme chama a atenção para a constante insatisfação do ser humano. Sempre imaginamos como seriam as coisas se pudessemos moldá- las de acordo com o que desejamos, porém, praticamente não nos damos conta que a graça de viver está nas incertezas e nas apostas que fazemos das nossas vidas. E é justamente quando Caroline percebe que as coisas são bem diferentes do que se mostram nesse mundo descoberto a pouco, que passa a correr um grande perigo, tendo que recorrer a toda sua inteligência e audácia para salvar a si próprio e a seus pais verdadeiros.

Outro atrativo do filme é a própria animação. Abaixo foto do set de filmagem de Coraline e o Mundo Secreto.

O filme foi produzido inteiramente em Stop Motion, técnica praticamente artesanal que simula o movimento através de fotografias, em Coraline e o Mundo secreto, foram utilizadas cerca de 24 imagens por segundo, assim como diversos bonecos e cenários físicos. A produção do filme teve sua pré- produção iniciada em 2005, sendo lançado apenas em 2009.

Abaixo um vídeo do Making off do filme, onde o diretor Henry Selick explica alguns processos de criação. É bem interessante, dá pra ter uma ideia do trabalho minucioso desempenhado para que Coraline ganhasse vida. 😉