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BigHero6-ColorindoNuvens

O final do ano chegou e o blog não teve posts novos por alguns dias, todo o meu foco estava justamente nos “bastidores” e eu decidi investir muitas horas da minha tímida férias coletiva para ajustar os intermináveis detalhes.

Enquanto o blog ainda não está totalmente preparado para ser repaginado e a rotina, infelizmente, volta ao normal, vamos falar de Operação Big Hero a nova animação da Disney que traz aos cinemas muita aventura e humor com as trapalhadas do carismático gigante Baymax.

Ao longo desses meses que antecederam a sua estreia acompanhei bem de perto todas as novidades sobre Big Hero 6 e várias delas viraram posts por aqui, como as artes conceituais dos cenários por Scott Watanabe, os primeiros esboços do gatinho Mochi e ainda um resumo sobre os personagens dessa história.

BigHero6-ColorindoNuvensBaymax e o gatinho Mochi

A animação não me decepcionou nem um pouco e a trama é capaz de agradar tanto ao público infantil quanto ao público adulto, ou seja, depois do sucesso de Frozen a Disney nessa parceria com a Marvel, conseguiu manter o nível de qualidade.

Toda a história é ambientada na cidade fictícia de San Fransokyo uma mistura entre São Francisco e Tókio e é justamente lá onde vivem Hiro Hamada e seu irmão mais velho, Tadashi.

Órfãos e criados por uma tia, os garotos demonstram um verdadeiro talento para a robótica. Enquanto Tadashi estuda em uma das Universidades mais renomada de San Fransokyo, Hiro aventura-se pelo submundo da cidade, desperdiçado o seu dom nos campeonatos de lutas ilegais de robôs.

BigHero6-ColorindoNuvens1Hiro e Baymax sobrevoando San Fransokyo

Reconhecendo o promissor talento do irmão, Tadashi um dia o leva ao laboratório da universidade. Além de apresentar-lhes seus colegas de classe (Honey Lemon que é fera em alquimia; Wasabi um garoto super organizado viciado em lasers, Go Go Tamago, especialista em engenharia industrial e Fred o mascote da turma que adora quadrinhos e monstros) Hiro também conhece seu mais novo projeto: o robô enfermeiro Baymax.

Desde a sua primeira aparição o gigante inflável demonstra um carisma inquestionável. Fofo e extremamente gentil, a sua programação o permite escanear a saúde de uma pessoa e iniciar os cuidados necessários para garantir a sua recuperação e bem estar.

A ação se inicia quando um misterioso vilão tenta destruir a cidade e Hiro reúne uma equipe de super heróis para tentar combate-lo! Aos poucos acompanhamos o amadurecimento da relação de amizade entre menino e robô. Logo, compartilhamos as suas frustações, medos, angústias e principalmente, o sentimento de união entre os personagens.

As cenas de ação são bem feitas e os cenários da cidade estão simplesmente surpreendentes! Apesar de tornar-se previsível em seus momentos cruciais e não trazer uma ideia realmente inovadora Operação Big Hero é uma animação de muita qualidade que me agradou em muitos aspectos. Recomendo!


Poster Interestelar

Domingo foi dia de curtir um cineminha ao lado do namorado! Fazia um bom tempo que não ia conferir algum filme nas telonas e estava realmente com saudade da expectativa para o filme, do gostinho da pipoca, da Coca-Cola gelada e de todo aquele “climinha” de cinema!

O filme escolhido foi Interestelar eu pouco sabia sobre a sua trama o que me ajudou a curtir muito a história e me surpreender a todo instante.

A criação de Christopher Nolan aborda diversos conceitos científicos baseados nas teorias do físico Kip Thorne, é permeado por uma grande catástrofe, mas acima de tudo, é um filme sobre os sentimentos e relações humanas.

Interestelar Murphy and Cooper

Na história, a Terra está fadada a destruição. Ondas gigantes de poeira assolam o planeta, destruindo plantações e a esperança de vida das futuras gerações. Diante de uma situação como essa, até mesmo os projetos da Nasa são realizados de modo secreto, pois seria injustificável o uso de bilhões de dólares em projetos científicos enquanto milhares de pessoas sofrem pela falta de comida e condições básicas de sobrevivência.

Ao decifrar estranhos sinais em sua propriedade Cooper (Matthew McConaughey, numa ótima atuação) encontra o laboratório científico da Nasa, a partir de então, o antigo piloto tem a oportunidade de explorar mais uma vez os mistérios do universo buscando encontrar planetas possivelmente habitáveis através de um buraco de minhoca localizado próximo a Saturno ou continuar com sua família tentando sobreviver em um planeta praticamente morto.

A decisão é difícil e tocante, principalmente pela relação de cumplicidade criada desde o início entre Cooper e sua família, sobretudo, com sua filha mais nova Murph. A escolha do nome faz referencia a lei de Murph e Interestelar nos explica que esse conceito não é necessariamente algo ruim “O que tem que acontecer, mais cedo ou mais tarde irá acontecer” e isso é amplamente justificado no decorrer do filme.

Nave Interestelar

A parte de ação é muito bem construída, digna de nos deixar com friozinho na barriga diante de todos os riscos de se adentrar em um território desconhecido. Em muitas situações, abstraímos o fato de estarmos preso a uma cadeira de cinema e embarcamos juntos com a equipe de astronautas até outros planetas, viajando no tempo-espaço de uma maneira jamais antes vista.

É muito interessante à maneira com que o tempo e espaço são abordados, dando ao tempo essa característica de lugar, algo difícil de enxergarmos no nosso dia a dia, mas é um conceito antigo, explicado na Teoria da Relatividade de Einsten que concluiu que “o tempo e espaço são relativos e estão profundamente entrelaçados”.

Afora esses conceitos mais técnicos e porque não, intrigantes para os mais leigos (tipo, eu rs), Interestelar também acerta em abordar os sentimentos humanos como o amor e a fé, dando a produção, em diversos momentos, um caráter filosófico.

INTERSTELLAR

Ao contrário do que a grande maioria dos críticos de cinema aponta, eu achei que as explicações são fornecidas na medida certa, de maneira bem fluida e natural. Baseado quase que inteiramente em teorias científicas reais, acho válido dar esse tipo de explicação, afinal de contas, os espectadores não são obrigados a conhecer os conceitos científicos abordados na produção.

Para mim, tudo funciona muito bem e o filme tem a sua parcela de sentimentalismo e ação muito bem balanceada. Simplesmente, uma das melhores produções que eu assisti nos últimos tempos.


O Espetacular Homem Aranha 2 - Poster

Semanas atrás, quando pude ter um final de semana de folga das responsabilidades da faculdade, fui ao cinema assistir a sequencia da nova franquia do Homem Aranha. O filme dirigido por Marc Webb, é o segundo episódio da história de Peter Parker que “recomeçou do zero” em 2012, escalando Andrew Garfield como protagonista.

Desde o primeiro filme, já foi possível perceber uma grande diferença do conhecido Peter Parker vivido por Tobey Maguire, que ao longo de vários anos, despertou o amor ou o ódio dos espectadores. No contexto da minha vida, a trilogia original do Homem Aranha, com o Peter Parker com aquela cara de bobo que o Tobey Maguire sabia fazer tão bem, foi o super herói que eu conheci e me acostumei. Eu nunca acompanhei os quadrinhos, a lealdade ou não com a obra original não poderia me incomodar em nenhum aspecto, sendo assim, a história de um super herói realizada com grande qualidade para época e com efeitos especiais que me surpreenderam, não poderia deixar de marcar a minha adolescência e tornar a tarefa de aceitar esse Homem aranha mais moderninho e serelepe um processo um pouco mais complicado.

Homem aranha 2A luta contra Electro

Deixando de lado todos os meus pré-conceitos, O Espetacular Homem Aranha – A Ameaça Electro, chega as telonas repleto de drama, romance e um pouco de ação. A história tem o seu principal foco no relacionamento de Peter Parker e Gwen Stacy (Emma Stone). Electro (Jamie Foxx), Duende Verde (Dane DeHaan) e Rhino (Paul Giamatt), os três vilões do filme, foram limitados a um papel de pouco destaque em meio a um enredo que não mediu esforços para reforçar o clima de romance e preparar o terreno para o grande e prometido desfecho do casal.

Electro, o vilão destacado no título do filme é Max Dillon funcionário das indústrias OsCorp que possuiu o estereótipo do típico loser, sem vida social ou reconhecimento de seus esforços. O personagem adquire o poder de manipular a eletricidade após sofrer um acidente de trabalho e em meio a uma crise grave de personalidade muda totalmente o seu comportamento para vir a se tornar o primeiro vilão dessa história, mas pouco convence.

Homem aranha - Gwen StacyGwen Stacy na torre do relógio

As cenas de ação acontecem de forma aleatória e não possuem especificamente um plot que irá te deixar com o coração na mão esperando a grande atuação do herói para salvar a cidade com seus super poderes e força de vontade. Pelo menos, é sempre isso que eu espero em um filme desse gênero. Dessa vez porém, o rumo da história correu justamente para o lado oposto e houve um exagero de melodrama e as típicas e previsíveis ações de uma boa comédia romântica.

Ao que tudo indica, o próximo filme da quadrilogia, com estreia prevista para 2016, será focado na recuperação de Peter Parker. Já o desfecho da história acontecerá somente em 2018 e não contará com a direção de Marc Webb.


Capitão America - O Soldado Invernal

No feriado passado fui ao cinema com o namorado e um casal de amigos pra assistir Capitão América – O Soldado Invernal. A produção mostrou-se um dos filmes mais interessantes do Universo Marvel e impressionou eu vários aspectos mas principalmente, por ter uma trama bem desenvolvida e ser extremamente empolgante.

A história passa-se dois anos após os acontecimentos de “Os Vingadores”. Nele, encontramos Steve Rogers (Chris Evans) dando continuidade com a sua participação na S.H.I.E.L.D. e tentando se adequar a vida nos dias atuais. Estando décadas a frente do seu tempo o herói depare-se frequentemente com lembranças do passado mas diferente do primeiro filme da franquia, o Capitão America não resume-se apenas ao símbolo do patriotismo norte americano, o grande plot da história é a rede de intrigas que envolve a H.I.D.R.A e a S.H.I.E.L.D.

Soldado InvernalO Soldado Invernal e seu semblante melancólico 

O Antagonista da vez é o Soldado Invernal vivido por Sebastian Stan, logo descobrimos a existência de um jogo de manipulações e interesses que o torna mais uma vítima dos acontecimentos do que um vilão propriamente dito. De qualquer forma, as cenas de ações envolvendo o personagem são realmente boas, mas o foco do trama foi desenvolver uma história mais profunda, que levou seus espectadores a refletir e se envolver no mistério e nas investigações.

O filme é mais sombrio que o usualmente demonstrado pelas produções Marvel. O humor foi empregado com cuidado e nos momentos certos, o que contribuiu positivamente em muitos aspectos. Sobretudo no último filme do Homem de Ferro, o humor desmedido foi capaz de destruir grande parte da credibilidade da produção e adicioná-lo ao time das obras de grande potencial transformado em simples galhofa.

Capitão America e Viúva NegraCapitão América e Viúva Negra

Outros personagens também tiveram participação importante na trama como o Falcão (Anthony Mackie), herói secundário nas HQs da Marvel e a Viúva Negra (Scarlett Johanson) que ajudou na iniciativa dos Vingadores em 2012.

Estabelecendo um Ranking dos meus filmes preferidos de super heróis O Capitão America – O Soldado Invernal fica atrás apenas de Os Vingadores e encara uma competição acirradíssima com o primeiro Homem de Ferro. Esse é um filme que realmente vale o seu ingresso ao cinema e acredito que não irá decepcionar mesmo aqueles que acompanham as HQs do herói.


frozen - poster

Frozen: Uma aventura Congelante conta a história das duas princesas do reino de Arendelle. A mais velha das irmãs, Elsa, nasceu com a capacidade especial de criar gelo, um poder que poderia ser um dom ou a sua condenação. Por meio de muitas canções conhecemos a infância das irmãs que acabam fatalmente separadas quando o poder de Elsa torna-se gradativamente, incontrolável passando a representar um grande perigo não somente para a pequena Anna, mas sim para toda sociedade.

Os portões do castelo são fechados, luvas são dadas a Elsa para conter a magia em suas mãos que insiste em congelar tudo que a toca e o isolamento é a única solução encontrada para manter em segredo sua capacidade especial.

O congelamento de todo o reino acontece de maneira acidental e nas montanhas geladas Elsa encontra na fuga, a falsa sensação de liberdade, longe de rótulos ou regras impostas, que a proibiam de ser quem realmente é.

frozen - ElsaElsa no castelo de gelo

Anna destaca-se com sua postura impetuosa e mesmo com a carência afetiva proporcionada por anos de pouca ou nenhuma interação humana, não se contenta em esperar que algum herói resolva a situação por ela, e parte sem hesitar em uma busca pela irmã, encarando os desafios dos cenários gelados do reino condenado ao inverno eterno.

Outros personagens juntam-se a aventura. O valente homem das montanhas Kristoff é o principal aliado da garota na difícil missão de encontrar o castelo de gelo onde se refugia Elsa.

frozen - Anna e kristoffAnna e Kristoff 

O longa possui um tom melancólico, mas o alívio cômico fica por conta do boneco de neve Olaf e de Sven, a rena com personalidade de cachorro. A relação do grupo é bem construída, contribuindo para o desenvolvimento bem sucedido da história e preparando o espectador para as reviravoltas do final.

A direção de arte fez um ótimo trabalho. A fotografia do filme é impecável. O poder de Elsa possibilitou a criação de efeitos fantásticos e belos trazendo para a sala de cinema uma explosão gelada capaz de enganar nossos sentidos e nos fazer sentir fisicamente um pouco do frio e da neve incessante.

frozen - personagensO encontro com Olaf

A Disney resgatou todo o espírito dos seus contos de fadas mais clássicos, mas mesmo assim, conseguiu inovar e surpreender com um final que questiona e critica os grandes amores que surgem em apenas um dia e insere numa história de princesas personagens incorretos e imperfeitos. Nada é absurdamente diferente da linha de filme já produzidos pelo estúdio, mas é nos pequenos detalhes que Frozen torna-se especial e marcante.


Monsters University - Poster

A história que conta o início da amizade entre dois monstrinhos bem diferentes Mike e Sulley, é uma animação bem divertida que conseguiu acima de tudo mostrar um pouco mais do universo dos monstros e acrescentar algumas explicações deixadas pendentes em Monstros S.A.

Desde que Mike era uma pequena bola verde e fofa, nada assustadora com seu aparelho dentário e uma personalidade gentil, que sonhava em ser no futuro um daqueles monstros assustadores e terríveis que conseguiam coletar muitos tubos de energia com os gritos das criancinhas.

Mike - Universidade MonstrosMike chegando a Universidade Monstros

Seu destino então foi entrar para a Universidade Monstros, o local onde iria aprender todas as técnicas e artimanhas para se tornar um grande assustador! Enquanto Mike, passava seus dias estudando, tentando compensar a desvantagem de não ser tão assustador, sabendo na ponta da língua toda teoria, Sulley aproveitava a fama de seu talento natural para o susto sem dar a mínima importância para as aulas.

Quando uma série de imprevistos acontece nos testes que eliminariam os estudantes que tivessem um desempenho ruim, a tensão entre Mike e Sulley aumenta sendo ambos eliminados do curso e conseguindo a inimizade da terrível diretora Hardscrabble. Quando a competição anual de sustos é anunciada os dois vêm a oportunidade de serem aceitos novamente no curso, mas para isso precisam provar que são realmente bons, fazendo parte de uma equipe com os monstros mais desajeitados de toda Universidade, os dois ‘futuros melhores amigos’ precisam deixar suas diferenças de lado e colocar acima de tudo o espírito de equipe.

Mike - SulleyA inimizade entre Mike e Sullivan

A competição que se segue e envolve uma série de jogos que buscam explorar todas as habilidades que um verdadeiro monstro assustador deve ter, evidencia as grandes diferenças entre os integrantes da Oozma Kappa. A fraternidade formada por Mike, Sulley, Don, Squishy, Art e Terri & Terry, tem como maior desafio encontrar o que há de melhor a ser oferecido individualmente para enfim, terem alguma chance de vencer a competição que reúne equipes muito competitivas.

Os resultados dos jogos não são nada previsíveis como poderia ter imaginado. Passamos a torcer pela peculiar equipe que vemos surgir aos poucos graças a principalmente, os esforços do líder da turma, Mike. E vamos aos poucos conhecendo mais detalhes sobre todas as faces dessa universidade de Monstros.

Osma KappaOs membros da Oozma Kappa

Além de toda diversão proporcionada a adultos e crianças, Monsters University também consegue ser comovente, e deixa a importante mensagem de que todos nós temos nossas próprias limitações e por isso, nem sempre as coisas irão sair do jeito que idealizamos, o importante é encontrarmos dentro de nós o que há de melhor e aceitar que novos caminhos podem ser traçados com sucesso.


Iron Man 3

Quando nos deparamos com a primeira produção da Marvel após o que considero um dos seus filmes mais fantásticos, Os Vingadores, é normal criarmos grandes expectativas, ainda mais quando se trata de um dos heróis mais interessante e popular da atualidade, o Sr. Tony Stark.

A história que se segue após a batalha travada em Nova York, evidencia muito mais a vida de Tony Stark (Robert Downey Jr.) como ser humano do que do Super Herói da armadura de ferro em si.

Nos deparamos com todos os traumas deixados pela batalha anterior, o que foi capaz de transformar um milionário destemido, a um Super Herói que se sente cada vez mais responsável pela segurança de todos, principalmente das pessoas que são importantes para ele, diante de mais uma grande ameaça que pode ser capaz de destruir tudo o que ele construiu até hoje.

Tony starkTony Stark em um de seus experimentos.

O antagonista da vez é o Mandarin (Ben Kingsley), que passa a executar atentados cruéis contra a população, espalhando um clima de muita tensão e medo de novos ataques terroristas. O Vilão é retratado praticamente como uma espécie de Osama bin Laden, e é evidente a crítica política abordada, em que se discute até mesmo, as causas não comprovadas das guerras travadas recentemente.

Diante dessa atitude corajosa, era de se esperar uma história super bem desenvolvida, a trama poderia render algo grandioso, mas esse novo capítulo na história de Tony Stark tornou-se apenas algo superficial.

As tiradas de humor, nos filmes anteriores muito bem colocadas e sutis, apareceram dessa vez, exageradamente. O clima de tensão e a dramaticidade abordada era frequentemente quebrado por piadas fora de contexto. As recorrentes crises de ansiedade enfrentada pelo protagonista também não eram nem um pouco convincentes, em parte pela atuação exagerada de Robert Downey Jr., ou pela rapidez com que aparecia e a facilidade com que se conseguia livrar-se delas.

mandarimO vilão Mandarim

Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) ganhou bastante destaque atuando até mesmo em algumas cenas de ação. É ela quem assume a empresa de Tony Stark enquanto esse se distrai produzindo novas armaduras e sofrendo crises de insônia e estresse pós-traumático. É exatamente o relacionamento com Pepper e as angustias do protagonista que os primeiros atos do filme são reservados. Clima esse que se aproxima do tédio sendo alternado bruscamente quando as batalhas finais são iniciadas.

Homem de Ferro 3 não chega a ser ruim, mas deixou muito a desejar. Talvez a mudança de diretor tenha causado uma perda de identidade, tanto dos personagens que aparecem bem mais caricaturados do que anteriormente, ou com relação à própria trama e seu rumo e ritmo incertos. O episódio por não deixar ganchos para filmes posteriores assim como ocorrem nos outro filmes da Marvel, parece isolado do Universo dos Super Heróis.

Iron manPepper Potts em uma das cenas que faz homenagem a Ayrton Senna, uma vez que Viviane Senna fez gesto semelhante no enterro do irmão.

O desfecho, porém, deixa a questão da continuidade de Robert Downey Jr, como o Homem de Ferro incerta. Aparentemente o ator estaria saindo caro demais aos bolsos da Marvel e entrando ao que tudo indica, numa longa negociação, no entanto, o presidente da Marvel afirmou recentemente que Homem de Ferro 4 sairá com ou sem o ator no papel principal, segundo ele “Não há nenhuma razão para Tony Stark não ser tão duradouro quanto James Bond, Batman ou mesmo Homem-Aranha”.


Wreck-it Ralph

Quando crescemos somos naturalmente condicionados a parar de brincar. Bonecas, carrinhos, ursinhos de pelúcia em certo momento são deixados de lado, talvez um dos únicos brinquedos permitidos na vida adulta sem causar estranhamento seja apenas os vídeos games. A tecnologia vem permitindo a criação de games cada vez mais complexos, com gráficos extremamente realistas e com temáticas diversificadas capazes de agradar a praticamente todos os públicos. Não é á toa, que a indústria de games vem crescendo e faturando milhões a cada ano, uma vez que além de manter seus fieis fãs, os games conquistam cada vez mais as crianças e adolescentes dessa nova geração. Abordando um tema tão popular, o anúncio da nova produção dos Estúdios Disney gerou grandes expectativas, pela abordagem de um tema diferente e pela possível e digna homenagem aos videos games de todas as gerações.

O filme aborda a história do vilão do game Wreck-It Ralph, que faz referencia aos clássicos jogos em 8 bits das décadas de 80/90. Nele  Ralph (John C. Reilly), um grandalhão enfurecido destruía o prédio enquanto concerta Felix Jr.(Jack McBrayer) com seu martelinho mágico seguia consertando todo o estrago feito, mas assim como toda profissão um dia torna-se exaustiva, Ralph após 30 anos fazendo seu trabalho com maestria cansa-se de ser sempre derrotado e odiado enquanto a glória fica restrita somente ao adorado herói da cidade, Felix.

wreck-it-ralphO “temível” Ralph.

Buscando a tão sonhada “medalha de herói” para finalmente ganhar o respeito e a confiança dos outros moradores da cidade, Ralph invade outro jogo de fliperama, mas a confusão que causa com essa intromissão acaba colocando em risco a continuidade de diversos outros jogos.

Ao longo do filme Ralph transita pelos 4 diferentes universos criados para a animação: o mundo de Concerta Felix Jr., Missão de herói, Estação Central de Jogos e Corrida Doce sendo o último o local onde se passa a maior parte do filme. É no game “Corrida doce” que Ralph encontra a pequena Venellope (Sarah Silverman) e o seu desejo de se tornar uma das corredoras do jogo da qual faz parte, mesmo sendo considerada apenas um bug.

Ralph-e- calhounRalph e Calhoun (Jane Lynch) no jogo Missão de Herói.

A partir de então, o início que seguia uma linha divertida com participação de diversos personagens conhecidos dos jogos muda de foco e qualquer homenagem ou referência ao mundo dos games que conseguiu salvar-se com a adaptação para o português, é abandonada, tornando-se uma história que revela facilmente seu desfecho e sem piadas fortes o suficiente para fazer rir.

A proposta de dar vida a um universo paralelo quando finalmente as portas do fliperama se fecham, é interessante,  porém não é inédita vimos isso em Toy Story, porém as semelhanças com esse clássico das animações param por ai, Detona Ralph está longe de possuir o carisma que Toy Story ao longo de seus três filmes alcançou.

Venellope e RalphVenellope e Ralph no game Corrida Doce.

Uma das coisas que mais me surpreenderam e decepcionaram foi a falta de carisma de alguns personagens importantes. Venellope a menina com uma história feita para dar aquela pitada de dramaticidade e agradar aos pequenos, mostrou-se, a meu ver, muito superficial. A dublagem também não contribuiu muito, a voz que lhe dava vida, feita pela estreante dubladora e ex-vj da mtv, Marimoon tinha um tom estranho, forçado, eu simplesmente não conseguia associar a voz a personagem.

Detona Ralph não possui um diferencial das diversas animações já lançadas. É uma história bonitinha com uma pegada “contos de fadas” e consequente final feliz anunciado, talvez o que mais tenha decepcionado, é a visualização de uma proposta que tinha tudo para ser boa e diferente, ficar apenas dentro da média.


The Hobbit-An Unexpected Journey

A perspectiva de dividir a história de O Hobbit em três partes era um assunto frequentemente levantado pelos admiradores da obra de Tolkien. Adaptações sempre são necessárias quando uma obra literária vai parar nos cinemas e por vezes o estrago que isso causa a própria essência da história é imperdoável e por que não, revoltante.

Peter Jackson que já tinha adaptado com grande sucesso e qualidade a trilogia dos Senhor dos Anéis anos antes tinha pela frente um desafio especial de tornar O Hobbit uma obra inesquecível como fora seus feitos anteriores.

Em meio a muitas opiniões nem tão positivas dos críticos da sétima arte, eu como mera espectadora sai da sessão de cinema completamente satisfeita e perplexa com a qualidade de The Hobbit: An Unexpected Journey e posso afirmar sem sombra de dúvida que a aventura do Sr. Bilbo Bolseiro não poderia ter tido melhor adaptação.

Sr. Bolseiro e Gandalf

Bilbo Bolseiro e Gandalf em uma das cenas iniciais.

Alguns fatos que ficavam apenas subentendidos na narrativa de Tolkien foram incluídos mas só veio a engrandecer a história sendo totalmente aceitáveis. Personagens que foram apenas brevemente citados, ou que só foram descritos em obras póstumas ganharam seu espaço, como por exemplo o mago Radagast-O Castanho, o Necromante e o principal vilão: O Orc Azog. Sua presença e a dos terríveis Wargs trouxeram o horror a tela de cinema. As batalhas que ocorrem são épicas incluindo o envolvimento pessoal do líder dos Orcs com a linhagem de Thorin, passagem que pode ser encontrada no livro Contos Inacabado de Tolkien e que foi muito bem inserido no contexto de O Hobbit, porém a produção teve o cuidado de preservar grande parte da obra original, vários diálogos foram transcritos fielmente e nenhum fato foi simplesmente ignorado o que pode ter interferido em alguns momentos na dinamicidade da história porém em balanço com as tomadas de ação de tirar o fôlego o resultado foi uma sintonia perfeita.

As ramificações criadas para a história foram muito bem amarradas a trama principal e a tornaram mais sombria. O Hobbit é um conto com carácter extremamente inocente, e a dosagem de dramaticidade e tensão agregada só a tornou mais grandiosa e necessária para a produção de um filme com a qualidade apresentada.

The Hobbit: An Unexpected Journey

A expedição de Anões.

A fotografia foi um espetáculo a parte. Pudemos rever cenários bem conhecidos como a delicadeza do próprio condado, um dos meus cenários favoritos ou conhecer a grandiosa Erebor, a cidade dos anões. A trilha sonora também merece destaque já que foi capaz de transformar as simples canções do livro em uma produção musical de tão boa qualidade.

Muito se falou da nova tecnologia de exibição em 48 quadros por segundo o dobro do que temos atualmente que consistem em 24 fps. São poucos os cinemas no país com capacidade de suportar a tecnologia e o que eu fui, não era um deles. Os efeitos 3D porém, apresentaram-se com qualidade superior ao que normalmente encontramos. O visual estava muito natural, sem aqueles habituais objetos voando para o rosto dos expectadores mas sim direcionados a dar profundidade as cenas de cenários muito vastos e trabalhados. O cuidado com a ambientação associado a alta tecnologia que hoje o cinema dispõe foi capaz de promover uma absorção praticamente completa dos espectadores que facilmente viam-se participando da aventura de personagens carismáticos e marcantes.

The Hobbit- Movies RivendellA Grandiosa Rivendell

Cada detalhe contribuiu de maneira positiva para tornar “O Hobbit- Uma jornada Inesperada” em uma das melhores produções dos últimos tempos. Sem mais a dizer, simplesmente Épico!

Participação especial de Renato Shinsei (LabRPG!)

Esperava ansioso pelo retorno cinematográfico da terra média as telonas. Porém, a cada dia depois da primeira cabine de impressa, as notícias de que o filme era fraco se tornavam mais populosas.
Ao assistir a obra, pude reparar no esmero que Peter Jackson teve, em cada cena e linha de diálogo tornando o filme compreensível para quem não conhece a obra, e cheio de pequenos detalhes que os fãs mais ávidos possam reconhecer passagens do livro e de anotações do próprio Tolkien.
Ainda trabalhando com esta dualidade, percebemos que PJ teve trabalho em tornar uma leitura infantil, em algo mais sério, e sem dúvida foi reconfortante ver que o teor cômico da história foi resignado à apenas alguns pontos da trama sem estragar o clima.
Que venha A Desolação de Smaug!


Brave, (confira o trailer), possui um roteiro simples mas bem cativante. O plano de fundo é a Escócia, cenário de grande mistério e muito bem ilustrado na história. O ambiente Medieval e a presença de uma princesa aventureira fez dessa produção, algo que gostei muito.

A decisão da Disney adaptar essa nova fase de princesas ao esteriótipo de grande parte das meninas dessa geração é bem interessante. Nada de princesa indefesa a espera do princípe encantado, em Brave, nem príncipe encontramos, estamos falando de aventura, de uma menina arqueira que luta pelo que quer e vive livre com seus (Lindos, fofos, maravilhosos *-*) cabelos soltos ao vento!

Até onde devemos ir para lutar contra o que estão tentando nos impor? A resposta varia em cada situação, em Brave o erro de Merida foi recorrer a uma bruxaria pra tentar mudar as coisas. A questão e a mensagem transmitida no filme são conflitos familiares. Tradições que transitaram sem questionamentos por gerações mas que não foram aceitas por Merida que se vê forçada a escolher como futuro esposo, jovens dos clãs vizinhos para se manter a paz a muito, conquistada.

O relacionamento entre a rainha Elinor e sua filha Merida é bem desenvolvida no filme, pude encontrar na jovem princesa a ânsia por liberdade, (praticamente seus cabelos são a personificação desse estado) e as tentativas vãs da rainha em ensinar as boas maneiras para a filha “rebelde”. As imposições são muitas, grandes são as críticas devido ao comportamento “anormal” e masculinizados da princesa, mas isso não torna Elinor a vilã, aliás nem a própria bruxa é tão má assim e há até algumas tiradas engraçadas com relação a velha feiticeira.

O humor fica por conta dos pequenos trigêmeos Harris, Hubert e Hamish, irmãos de Merida sendo os principais responsáveis por arrancar sorrisos recorrendo ao humor mudo, até porque são pequenos demais para falar, não que sejam hilariamente engraçados, mas são crianças fofinhas e completamente travessas, difícil não gostar. Já o Rei Fergus também foge dos clichês. Sem elegância e refinamento, temos um carismático rei conhecido por sua coragem mas atrapalhado com questões diplomáticas, sendo assim Elinor é praticamente responsável por tudo, afirmando mais uma vez que o filme é estritamente feminista.

A trama e o cenário é mais sombrio do que estamos acostumados a encontrar numa história de princesa Disney, talvez seja resultado da parceria com a Pixar, embora o filme seja previsivel dentro dos padrões Disney, eu particularmente achei uma produção muito boa, encontrei personagens intensos e cativantes, efeitos muito bem feitos e uma aventura medieval envolvida por mistérios e misticismo.

Talvez o filme pudesse ter sido menos previsível, mas estamos lidando com mais um conto de princesa Disney destinado ao público infantil, uma tarefa bem difícil unir Pixar e Disney sem uma não se sobressair sobre a outra, enfim, o resultado foi bem satisfatório e Merida tornou-se pra mim, uma personagem bem especial, daquelas que eu gostaria de ser nem que fosse apenas por alguns breves momentos. 🙂


Merida e Família